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Como saber se meu contrato bancário tem juros abusivos

Juros altos, sozinhos, não provam que um contrato bancário é abusivo. A abusividade é uma conclusão técnica, que depende de comparação com parâmetros objetivos — e é exatamente isso que uma perícia contábil bancária apura antes de qualquer ação judicial ou negociação.

O que caracteriza juros abusivos em um contrato bancário

As instituições financeiras não estão sujeitas ao limite de 12% ao ano da Lei de Usura — é o que diz a Súmula 596 do STF. Isso significa que uma taxa alta, isoladamente, não é ilegal. O parâmetro técnico usado para aferir abuso é a comparação com a taxa média de mercado divulgada pelo Banco Central para operações da mesma modalidade, no mesmo período de contratação.

  • Taxa contratada muito acima da taxa média BACEN para a mesma linha de crédito (financiamento de veículo, capital de giro, cartão, cheque especial etc.)
  • Capitalização de juros não pactuada expressamente — a capitalização é permitida pelo STJ (Tema 246, REsp 973.827/RS) desde que prevista de forma clara no contrato
  • Cobrança de tarifas e encargos não previstos ou vedados pela regulação do CMN
  • Encargos moratórios (mora, multa) acima dos limites legais

Como funciona a perícia técnica de revisão

A perícia contábil bancária não parte de opinião — parte de recálculo. O fluxo de trabalho segue quatro etapas:

  • Envio dos documentos: contrato, extratos e faturas
  • Análise prévia: verificação se há indício técnico de abusividade que justifique o custo de uma perícia completa
  • Recálculo pericial: comparação entre o que foi cobrado e o que seria devido pela taxa média de mercado ou pelos parâmetros contratuais corretos
  • Laudo ou parecer técnico: documento fundamentado, pronto para instruir a ação ou a negociação

O que a perícia não faz

A perícia contábil não decide se há direito à revisão — isso é análise jurídica, do advogado e, ao final, do juiz. O papel da perícia é apurar o número: quanto foi cobrado, quanto deveria ter sido cobrado pelos parâmetros técnicos corretos, e qual a diferença. É esse número, fundamentado, que sustenta a tese jurídica.

Veja também a jurisprudência do STJ em perícia bancária usada como base técnica nesses casos, ou conheça os resultados já obtidos pelo escritório.

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